quarta-feira, 13 de julho de 2011

O crescimento do Reino e a Misericórdia de Deus (Mt 13, 24-43)


16º Domingo do Tempo Comum - Ano A





O texto de Mt 13,1-23 apresenta o Reino de Deus como uma semeadura. Os relatos que vêm em seguida (Mt 13, 24-43) desenvolvem mais profundamente esse tema por meio de outras parábolas. O texto começa com parábola do joio plantado no trigal (v. 24-30). O mundo é um campo misto, onde o trigo e o joio crescem; e é impossível separar o trigo do joio, enquanto estivermos neste mundo, uma vez que estão bem misturados.

Jesus nos pede paciência. Ele nos ensina, com a própria vida, que somos capazes de existir e de dar frutos em um mundo plural, numa época em que o bem e o mal estão entrelaçados. Portanto, não devemos transformar o mundo num campo de batalha, cada um querendo eliminar seu adversário. Certamente existe o joio, mas não é possível traçar uma linha no chão e dizer “deste lado está o bem e do lado de lá está o mal”. O joio está tão misturado com o trigo, que até mesmo no interior e nas ações das pessoas mais religiosas o joio está presente. Somente no fim dos tempos Cristo poderá separar o joio do trigo.

Por enquanto, permanece o mundo paradoxal. Essa ideia é completada pelas parábolas que vêm em seguida: a da menor semente (v. 31-32) e a do fermento nas três medidas de farinha (v. 33). Primeiramente, Jesus mostrou uma oposição entre duas sementes e entre dois semeadores; agora, destaca o contraste entre o tamanho da semente e o tamanho da hortaliça e entre a pequena medida de fermento e a quantidade da massa. As oposições convivem no mundo. Os servos do dono da casa querem antecipar o juízo dentro da história, destruindo o joio à força. Esta é a tentação de nosso momento histórico, queremos eliminar as oposições pela força da violência contra o outro que temos por adversário ou desafeto.

Cristo, ao contrário, não entende o mundo como um campo de batalha e deixa a sua semente crescer e amadurecer no meio do joio. Um mundo onde só existe o trigo é outro tipo de mundo, no qual se vive plenamente o amor, e o Cristo o chamava de Reino de Deus. Se formos intolerantes com as pessoas, isso mostra que o joio está em nós, porque não estamos produzindo frutos de amor, mas de violência velada e sutil. E violência é fruto do joio semeado no coração.

E como fica a luta por justiça? Ela deve permanecer. Devemos estar atentos para que o joio não seja semeado e não contamine o campo inteiro. O que Jesus nos proíbe é fazer justiça com as próprias mãos, é disseminar o ódio e a violência. Jesus espera que sejamos o bom trigo e não o joio.

Os cristãos são muitos, mas os que verdadeiramente seguem Jesus constituem um pequeno número, são como a mostarda e o fermento, mas, como a força do trigo é o amor, esses poucos e verdadeiros cristãos fazem com que este mundo caminhe para uma plenitude. Enquanto não chega o fim dos tempos, devemos agir como Deus age.

Para o livro da Sabedoria (Sb 12,13.16-19), Deus é o Senhor absoluto de todas as criaturas e não há outro Deus: essa é a afirmação bíblica do monoteísmo. Apesar de sua onipotência, ele prefere agir com misericórdia em relação às suas criaturas. O domínio de Deus sobre as criaturas estende o amor dele sobre todos os seres, com especial atenção ao ser humano, mais digno de misericórdia porque é o único que peca. Isso não significa que Deus não seja justo, mas que nele se harmonizam misericórdia e justiça.

O modo como Deus age em relação aos incrédulos e aos pecadores leva o autor do livro da Sabedoria a concluir que Israel deve agir para com todos os povos, igualmente, com misericórdia, a exemplo de Deus, misericordioso e compassivo. Ao levar a sério o monoteísmo, Israel teve uma lição de humanismo, teve de ir além da lei do “olho por olho”. Isso preparou o povo para a revelação do Novo Testamento sobre o amor aos inimigos. O texto do livro da Sabedoria também sugere que a salvação é para todos os povos, e isso prepara o anúncio da salvação universal feita pela Igreja primitiva.

Salvação que não é obra humana, afirma o texto de Rm 8,26-27. A salvação é dom de Deus e vem a nós por intermédio de Jesus Cristo. O nosso empenho consiste é na santificação, pelo Espírito Santo. A santificação é realizada ao longo de nossa existência numa configuração de nossa vida ao modo como Cristo viveu, ou seja, fazendo a vontade de Deus.

Mas é difícil ajustarmo-nos à vontade divina; em muitos momentos da vida não conseguimos nem discerni-la. Não sabemos sequer o que pedir a Deus, e muitas vezes, sem saber, insistimos com ele para que nos conceda algo que poderá ser prejudicial a nós ou aos outros. Somos como bebês que tentam se comunicar sem ainda poder articular palavras compreensíveis, que fazem sons sem sentido como reação às palavras, olhares e carinhos dos adultos. O Espírito Santo, em nós, faz a mediação, transmitindo ao Pai o que não conseguimos expressar devido à nossa pequenez, à nossa fragilidade.

O Espírito Santo se faz solidário a nós, não tira a nossa fraqueza, mas nos ajuda em nossa debilidade. Sem a ajuda do Espírito Santo, não saberíamos sequer o que dizer a Deus em nossas orações. Mesmo quando pensamos que sabemos o que devemos pedir, podemos estar totalmente equivocados. O dom do Espírito Santo é a prova de que Deus cuida de nós em todos os sentidos.

Ir Aíla Luzia Pinheiro de Andrade é membro do Instituto Religioso Nova Jerusalém. Graduada em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará e em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Faje - BH), onde também cursou mestrado e doutorado em Teologia Bíblica e lecionou por alguns anos. É autora do livro Eis que faço novas todas as coisas – teologia apocalíptica (Paulinas) e Palavra Viva e Eficaz (Paulus).

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O Semeador saiu a semear (Mt 13,1-23)


Aíla L. Pinheiro de Andrade, nj*

Roteiro Homilético para 15º Domingo do Tempo Comum

Evangelho
As leituras de hoje destacam os diversos modos de recepção da Palavra de Deus. O trecho do evangelho começa com a parábola do semeador (v. 3-9), destacando diversos tipos de solo onde a semente cai por acaso. A primeira parte, das sementes que foram lançadas, caiu à beira do caminho, quer dizer, onde o solo não tinha sido arado, dessa forma não pode penetrar na terra, ficando exposta aos pássaros que facilmente se alimentaram dela.

Outra parte da semente caiu onde o solo era duro e rochoso com pouca terra, de forma que as raízes não puderam penetrar embaixo da terra para sugar a umidade, isto fez com que as raízes não tivessem forças suficientes para a planta se apoiar e murchasse rapidamente sob o forte calor do sol.

Algumas sementes, continua o texto, caíram na parte do campo onde espinheiros não tinham sido totalmente tirados e destruídos. Os espinheiros cresceram junto com as plantas geradas pela semente. Eles se multiplicaram em quantidade e tamanho, sugaram os nutrientes da terra e impediram a planta de crescer, sufocando-a.

A última parte, por fim, caiu em solo apropriado para o plantio, mesmo assim a produção não foi totalmente cem por cento, conforme se esperava.

Em seguida temos a pergunta dos discípulos sobre o motivo pelo qual Jesus fala às multidões parábolas (v. 10). Jesus responde que os mistérios do reino são revelados somente para quem é discípulo dele. Dizia isto porque as parábolas eram um ensinamento enigmático, ao contrário do que se pensa, quase ninguém as compreendia. As pessoas da multidão tinham uma idéia diferente sobre o reino de Deus, elas pensavam que se tratava do domínio político de Israel sobre as outras nações. Por isso, nem mesmo os discípulos entendiam as parábolas e Jesus tinha que explica-las quando estava a sós com eles.

As multidões eram interesseiras, buscavam Jesus apenas porque queriam a solução imediata de seus problemas e, portanto, queriam obrigar Jesus a ser rei. Para elas as parábolas continuavam sendo um enigma, somente quem tinha se despojado de tudo para seguir Jesus poderia entender o enigma das parábolas quando Jesus as explicava.

Quem permanece na multidão egoísta e não passa para o grupo dos despojado (os discípulos) merece a crítica que o profeta Isaías havia feito aos seus contemporâneos rebeldes (Is 6,9; Mt 13, 14-15). Quem fez a travessia de um grupo a outro, ou seja, quem converteu o coração, merece uma bem-aventurança, pois vivem um momento privilegiado da história da salvação, graça que muitos desejaram presenciar e não lhes foi concedida.

Depois disto temos a explicação da parábola. A semente representa a palavra de Deus comunicada de várias maneiras às pessoas. Jesus é o caminho, nele Deus se revela plenamente ao ser humano; em Jesus temos acesso ao Pai. À margem do caminho, ou seja, sem uma adesão a Jesus, a palavra de Deus não é compreendida de forma profunda, não tem consistência na vida das pessoas e o maligno, representado pelos pássaros, facilmente a arrebata dos corações. É necessário estar no caminho que é Jesus, no caminho da cruz-ressurreição para que a palavra de Deus produza frutos de santidade. Somente o verdadeiro discípulo pode compreender isto, a multidão interesseira não quer saber da cruz, querem apenas “se dar bem”.

Outro tipo de pessoa que recebe a palavra do reino é aquele ouve o evangelho como algo novo e agradável, deixando-o encantado com a vida da igreja e cheio de zelo para com ela, até mesmo que com certo fanatismo. Mas seu engajamento na construção do reino de Deus não tem raízes profundas. Esse tipo de pessoa é como afirma o dito popular “é fogo de palha”, dura pouco, e sob qualquer dificuldade se escandaliza. Se é para louvar e cantar ou ter um pouco de destaque pode-se contar com esse tipo de pessoa, mas se há alguma exigência de compromisso, por menor que seja, então já não há disponibilidade.

O terceiro tipo de pessoa que recebe a palavra de Deus é constituído por aqueles que são fascinados pelas riquezas e se rendem a tudo que o mundo oferece como receita mágica de felicidade. Sucumbe à tentação para ser desonesto, enganar, tirar vantagem dos outros, oprimir etc. A palavra é sufocada por diversas vozes que impedem a consciência de ouvir os apelos de Jesus. Nesse estado de espírito, os bons sentimentos e pensamentos não têm força para resistir a vozes tão fortes.

O último tipo de pessoa é como a semente que cai em solo bom, ou seja, quando o coração se submete à influência da palavra tal e qual a semente em um campo amplo sem nada que a sufoque e sem que os raios do sol a sequem. Quando o coração retira sua seiva vital da experiência pessoal com Cristo ressuscitado. Um coração assim é como um solo no qual a palavra se desenvolve e se fortalece exuberante sob os raios da manhã e o orvalho da noite. Mesmo nestas condições, algumas pessoas não produzem totalmente os frutos esperados por Deus, frutos de santidade, justiça, paz e fraternidade.

Então, todas as sementes eram boas, todas tinham um potencial para produzir cem por cento, o problema era o solo. Isto nos leva a perguntar sobre os motivos pelos quais o semeador desperdiçou suas sementes em solos ruins. Mas, com a afirmação de que “parte da semente caiu” em tal lugar, a parábola quer dizer que não era intenção do semeador plantar em solo ruim, o semeador esperava que todas as sementes caíssem em solo bom e que produzissem cem por cento. Contudo, o semeador sabia que algumas sementes não iriam atingir seu pleno potencial, mas isto não o impediu de realizar a semeadura. Isto significa que mesmo correndo o risco de desperdiçar a semente (a palavra) o semeador deve sempre semear, o evangelizador deve sempre evangelizar.


* Aíla L. Pinheiro de Andrade é membro do Instituto Religioso Nova Jerusalém. Graduada em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará e em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), onde também cursou mestrado e doutorado em Teologia Bíblica. Leciona na Faculdade Católica de Fortaleza e em diversas outras faculdades de Teologia e centros de formação pastoral.

terça-feira, 7 de junho de 2011

“RECEBEI O ESPÍRITO SANTO”

Rita Gomes, NJ*

1. Introdução
Em nosso tempo o fascínio pelo sagrado como fuga de uma realidade fragmentada nos leva a perceber uma distorção da compreensão de Deus e de sua ação em nossa história que se revela através de Jesus Cristo, bem como uma ideia estranha da ação do Espírito Santo. Esse passou da imagem singela da pomba sem papel muito claro ao fazedor do impossível, de portentos e milagres. Do esquecimento passou ao primeiro plano de modo confuso. Qual Espírito e qual seu lugar e missão na vida da Igreja? A resposta a esta e a outras dúvidas buscamos no testemunho escriturístico e na liturgia da Igreja.

2 Conhecendo os textos
A primeira leitura nos fala a ação do Espírito Santo sobre a Igreja nascente para formar o novo povo de Deus na unidade. A segunda leitura indica a ação do mesmo Espírito para sustentá-la na diversidade criativa. Já o evangelho nos dá a chave de compreensão das leituras anteriores ao revelar-nos a relação de continuidade de ação entre o Filho e o Espírito em vista da Igreja.

2.1 Espírito Santo – dom do Crucificado-Ressuscitado
O evangelho de hoje nos recorda a continuidade relacional entre Jesus o Cristo, o Espírito e a Igreja. A primeira afirmação evangélica é que o Ressuscitado, doador do Espírito, é o mesmo que foi crucificado. Tal afirmação é marcada pela demonstração que Jesus faz de suas mãos e de seu lado. Ao fazer isto recorda as chagas dos cravos e o ferimento de lança infligido pelo soldado. A sequência da narrativa é simples, após recordar que foi enviado por Deus doa o Espírito aos discípulos. Jesus foi enviado por Deus e auxiliado em toda sua obra pelo Espírito que se torna agora o dom do Crucifidado-Ressuscitado para a Igreja. Ao enviar o Espírito sobre os apóstolos se confirma a continuidade de uma relação de amizade, de aliança de Deus com a humanidade selada pelo Cristo no Espírito. É o Espírito que agora sustenta e inspira a Igreja em sua ação.

2.2 Um só Espírito - um só povo
Dois pontos merecem atenção na primeira leitura. O primeiro é a unicidade do Espírito. Um só é o Espírito que pousa, mas se distribui sobre todos como línguas de fogo. O segundo é o dom da unidade linguística. A relação de unidade que marca a presença do Espírito sobre a Igreja é marcada na segunda leitura pela compreensão por todos, independentemente da língua materna de cada ouvinte, da mensagem transmitida pelos apóstolos. Essa comunhão espiritual se torna ainda mais compreensível pelo contraste com a leitura da “torre de babel” (Gn 11,1-9) em que a diversidade de línguas marca a divisão, já que ninguém se entende, entre povos separados. Aqui há a formação do povo de Deus que não é demarcado pela língua falada e pela origem geográfica, mas pelo Espírito que os une. A identidade do novo povo de Deus vem da conformação ao Cristo pelo dom do Espírito.

2.3 Um só corpo
Enquanto na primeira leitura vemos a ação do Espírito sobre a Igreja nascente em relação aos outros povos e culturas, a segunda alerta-nos para a compreensão da ação do Espírito no interior mesmo do povo de Deus. O Espírito não é só unidade, mas também diversidade. Paulo lembra a unidade de origem dos dons (o Espírito) e a diversidade de manifestação (carismas). A comunhão não significa unidade indiferenciada, mas cooperação mútua, uma vez que somos um único corpo. No fim, a origem última é Deus, por Cristo no Espírito. Um só e mesmo Espírito opera tudo em todos. Embora não use uma terminologia trinitária evoluída, o pensamento trinitário se apresenta claramente, pois Paulo fala dos três: Espírito, Senhor, Deus correspondendo ao Espírito Santo, Jesus (o Filho) e o Pai.

3 A palavra se faz celebração
A Páscoa enquanto compreende vida-morte-ressurreição de Jesus Cristo completa seu ciclo com o Pentecostes. Em todo o Mistério Pascal nos é dado conhecer a ação salvadora de Jesus Cristo, enviado do Pai, movida pela força do Espírito. É pelo Espírito que podemos confessá-lo nosso Messias-Salvador. Após sua morte e ressurreição nos dá seu Espírito para continuarmos sua missão, fazermos o Reino de Deus presente. O importante a marcar aqui é a pessoa do Espírito Santo. Na Escritura encontramos ao menos três referências ao Espírito que são dignas de nota: Espírito de Deus (mais comum no AT), Espírito de Cristo e Espírito Santo (NT). A primeira referência marca o Espírito do Pai que sustenta e move seu Messias e o Espírito de Cristo, o dom do Ressuscitado para a Igreja. Mas, não se trata de outro espírito. Para expressar a identidade do Espírito do Pai e do Filho, Xabier Pikaza recorre ao esquema calcedoniano[1] das duas naturezas do Cristo (humana e divina). Assim, o espírito do Pai que se autodoa a Jesus, fazendo-o surgir como seu Filho e o espírito de Jesus, o Filho, que se entrega ao Pai, são um e o mesmo[2]. Esse mesmo Espírito é enviado pelo Filho em Pentecostes à Igreja. Assim com a solenidade de Pentecostes celebramos plenamente o mistério de nossa salvação. Em Jesus somos feitos filhos no Filho, fazemos parte da vida divina.

4. A palavra fala-nos hoje
Longe de querer negar o “poder” do Espírito Santo para operar milagres e prodígios em nosso meio, queremos ressaltar que não é próprio da revelação de Deus em Jesus Cristo, uma ação portentosa. Jesus nos revelou o Deus que é trino, Pai- Filho – Espírito Santo não numa exaltação, mas num agir discreto e passando pela cruz. O poder de Deus se revela no amor e na misericórdia diária que faz com que todo aquele que é movido pelo Espírito não viva só para si, mas em vista da vida para o outro. O Espírito testemunha o messianismo do crucificado e impulsiona a Igreja a seguir o mesmo caminho de humildade e potência amorosa.



____________
* É membro do Instituto Religioso Nova Jerusalém. Possui graduação em filosofia pelo Instituto Teológico e Pastoral do Ceará - ITEP, atual Faculdade Católica de Fortaleza – FACAF. Possui ainda graduação e mestrado em teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia – FAJE. É membro da Comissão de Publicações do Vicariato Pastoral da Arquidiocese de Belo Horizonte. O texto que aqui se encontra foi publicado no Caderno "Homilias e Sugestões" da referida comissão com algumas modificações.

[1] Referência ao IV Concílio Ecumênico realizado no ano 451 em Calcedônia.

[2] Pikaza, Xabier. El Espíritu Santo y Jesús: Delimitación del Espírito Santo y relaciones entre Pneumatología y Cristología. Salamanca: Secretariado Trinitario, 1982, p. 43.

domingo, 5 de junho de 2011

O Espírito Santo e Maria

Aíla L. Pinheiro de Andrade,nj*

“Concebido pelo Espírito Santo e nascido da Virgem Maria” é uma das afirmações da profissão de fé cristã quando trata sobre a Encarnação.

Quando estávamos em preparação para o Jubileu da Encarnação, na expectativa do ano 2000, tivemos um ano dedicado a uma catequese sobre o Espírito Santo em 1998.

O enfoque da celebração do terceiro milênio foi o da concepção e nascimento de Jesus Cristo tornada possível pelo poder do Espírito Santo e pela cooperação da Virgem Maria. A concentração numa “reciclagem” catequética sobre o Espírito Santo deveria constituir também uma devoção mariana mais sólida, mais vinculada ao seu papel em relação a Jesus e em relação ao Espírito Santo.

O Espírito Santo é o guardião da esperança no coração humano, por isso houve uma especial atenção à virtude teologal da esperança em 1998. Nas Escrituras, Maria é a mulher dócil à voz do Espírito, a mulher que esperou contra toda esperança. Em Maria, a Igreja vê “um sinal da esperança segura” (LG 68), ela foi “plasmada pelo Espírito Santo e formada nova criatura” (LG 56). Enfim, a Igreja deve ser aquilo que Maria é. E enquanto peregrina neste mundo a Igreja tem Maria como um sinal “até que chegue o Dia do Senhor” (LG 68).

Há dois textos nas Sagradas Escrituras que tratam diretamente sobre o Espírito Santo e Maria:

a) Mt 1,18-20
As circunstâncias do nascimento de Jesus é uma ação do Espírito Santo sobre Maria (v.18), “o que nela foi gerado vem do Espírito Santo” (v.20). Há um testemunho do narrador (v.18) e um testemunho do céu (v.20) de que Maria está sob a ação do Espírito Santo para que Jesus venha a nascer. A justiça de José ou a inocência de Maria são aspectos secundários. O mais importante é a docilidade de ambos à ação do Espírito Santo. No caso de Maria há uma colaboração, ela corre risco de ser morta. O casal é um testemunho para a Igreja: deixar-se guiar e colaborar, mesmo que isso exija a morte ou a mudança de mente (conversão).

b) Lc 1,35
Primeiramente, menciona-se a descida do Espírito Santo sobre Maria. Isso nos remete a Ex 3,8 quando se afirma que Deus desceu para livrar o seu povo do faraó e para fazê-lo subir à terra prometida. Depois é dito que “o poder do Altíssimo” cobrirá Maria. Isso está vinculado com a criação, quando o Espírito pairava sobre as águas (Gn 1,2). O Espírito cobrirá Maria com sua sombra, isto nos remete à nuvem (shekiná) no deserto cobrindo a Tenda do Encontro (Nm 9,15).

No evento de Pentecostes o Espírito Santo permanece Deus misterioso ou escondido (Is 45,15) e assim ele permanecerá ao longo de toda a história da Igreja e do mundo. Pode-se dizer que ele está escondido na sombra de Cristo. Ele é o Deus escondido que trabalha em silêncio e no interior. A narrativa sobre o Pentecostes em At 2,1-13 indica que quando se trata do Espírito Santo há somente a observação dos efeitos de sua presença e de sua ação em nós e no mundo. O mesmo efeito pode causar estupefação em uns (2,12) e zombaria em outros (2,13).

Na tradição religiosa de Israel, o Pentecostes era originalmente a festa dos primeiros frutos da colheita (Ex 34,22). O Antigo Testamento dá instruções detalhadas para a celebração do Pentecostes (Lv 23,15; Nm 28,26-31), que mais tarde tornou-se também a festa da renovação da aliança (2 Cr 15,10-3). A narrativa sobre Pentecostes em At 2,1-13 está vinculada ao relato sobre a comunidade dos reunida no Cenáculo onde todos unânimes “perseveravam na oração com algumas mulheres, entre as quais Maria, a mãe de Jesus” (At 1, 14). Uma leitura cuidadosa de Atos nos diz que havia homens e mulheres, e o momento do Pentecostes representado apenas pelos doze ou pelos doze e Maria omite um importante ensinamento sobre a manifestação do Espírito na Igreja. Isso significa que, no Novo Testamento, a festa da colheita torna-se a festa da “nova colheita” do Espírito Santo, o fruto da semente lançada por Cristo.

O texto da anunciação tem uma correlação com o texto sobre o Cenáculo e Pentecostes. Na anunciação Deus dá o seu Espírito a Maria a qual não é apenas a imagem (Abbild = reflexo) mas também a imagem típica (Urbild=protótipo) da Igreja. Em Pentecostes acontece com a Igreja o que aconteceu com Maria na anunciação e por isso a Igreja torna-se fecunda, gera o Cristo para as nações através do anúncio do evangelho em todos os idiomas.

Em 1974 o Papa Paulo VI escreveu um documento (Marialis Cultus (MC)) sobre a devoção a Maria, que continua a ser a norma para a devoção mariana entre os católicos. Depois de normatizar a devoção mariana em função de Cristo, o Papa destaca em dois números (MC 26 e 27) relaciona a mesma devoção em relação ao Espírito Santo. Isso significa primeiramente que não pode haver culto a Maria em si mesma.

No número 26 o Papa começa afirmando que “a intervenção santificadora do Espírito no caso da Virgem de Nazaré foi um momento culminante da sua ação na história de Salvação”. E, em seguida, lembra que Maria “se torna habitação permanente do mesmo Espírito”. Isto é, em Maria se diz o mesmo que se dizia para a arca da aliança [1].



“O mesmo verbo exprime a posição da nuvem sobre o tabernáculo e a do Altíssimo sobre Maria”. O tabernáculo fica cheio da glória, Maria fica cheia da presença do Filho de Deus.




_________
[1] MARTINS TERRA, João Evangelista. Releitura Judaica e cristã da Bíblia, São Paulo: Loyola, 1988, p. 24-25.

* Aíla L. Pinheiro de Andrade é membro do Instituto Religioso Nova Jerusalém. Graduada em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará e em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), onde também cursou mestrado e doutorado em Teologia Bíblica. Leciona na Faculdade Católica de Fortaleza e em diversas outras faculdades de Teologia e centros de formação pastoral.

domingo, 29 de maio de 2011

O HERDEIRO E A VINHA - REFLEXÕES À LUZ DE NA 4 (final)

Aíla L. Pinheiro de Andrade,nj*

Agora, nos propomos a estudar a maneira como Mateus utilizou as fontes veterotestamentária para inserir a parábola dos Vinhateiros dentro de seu projeto teológico e, mais especificamente, dentro do tema da rejeição/aceitação presente no bloco literário (Mt 21,23–22,14). Para tanto, faremos uma abordagem semântica de alguns termos:

- VINHA [11]
Tanto Is 5,2, quanto Mc 12,1 e Mt 21,33 atestam os cuidados que o Amado (Mc diz que é um homem, Mt afirma que é um homem chefe de casa) teve com a vinha: preparou a terra (Is); protegeu-a contra animais selvagens cercando-a com uma sebe (Mc e Mt); evitou que as uvas se estragassem, cavando um lagar (Is, Mc e Mt); e deu-lhe proteção permanente com vigias, construindo uma torre (Is, Mc e Mt). Esses cuidados fizeram dela uma “vinha preciosa” (Jr 2,21). Contudo a vinha não correspondeu às expectativas de seu proprietário. Para Isaias, a vinha é Israel e Judá (Is 5,7). Que expectativas não foram correspondidas? O exercício da justiça e do direito (Is) e a acolhida dos enviados (Mc, Mt e Lc).

No texto de Is 5,1-7, o profeta afirma que o Amado (v. 1b-2), identificado com o Senhor dos Exércitos (5,7), convoca os moradores de Jerusalém para julgar a sua vinha (5,3) [12]. O proprietário faz duas perguntas: a primeira, sobre suas atividades e a segunda, sobre a produção da vinha (5,4). Ele mesmo deu a sentença, anunciando o que fará, e suas atividades destrutivas (Is 5,5-6) serão o oposto dos cuidados iniciais (5,2). O ápice é o v. 7 no qual o profeta contrasta as expectativas positivas de Deus e as atividades do povo.

Mateus é, entre os sinóticos, quem melhor enfatiza o julgamento dos Vinhateiros, pois na versão mateana, os próprios interlocutores responderam à questão posta por Jesus: eles declararam que os vinhateiros eram vilões e mereciam morrer.

Além disso, com a sentença de Jesus, eles reconheceram, na parábola, a história de seu conflito com o Nazareno. A parábola é chave interpretativa para uma a história de desobediência à vontade de Deus, cujo clímax se mostra agora na rejeição ao Filho.

- FRUTOS [13]
A expressão produzir frutos (Mt 21,43) não aparece ingenuamente nesse versículo, mas é uma descrição do comportamento correto, e faz elo com Is 5,2.4b, quando por três vezes se diz que o Amado esperava a produção de uvas boas, mas a vinha produziu uvas amargas, bravas. Essa orientação ética seria um desenvolvimento do comportamento destacado em Is 5,7: esperava-se o direito e a justiça e em contraposição foi produzido transgressão e clamor. O texto de Mt 21,41 insinua que os frutos não foram entregues ao dono da Vinha. E por fim, Mt 21, 43 afirma que a vinha não produziu frutos quando estava com os arrendatários.

Em Mateus ainda temos duas diferenças em relação a Marcos: (a) a totalidade (Mt 21,34), e não uma parte (Mc 12,2) dos frutos, deve ser dada ao proprietário; (b) o filho foi morto fora (Mt 21,39; cf. Hb 13,12; Jo 19,20b; Lv 21,14-16) e não dentro da vinha (Mc 12,8).

- ETHNOS
A expressão “um éthnos que produza os frutos dele” (Mt 21,43) aparece apenas em Mateus. Conforme os estudos de Saldarini [14], o termo éthnos significa bando, classe, nação, gente, pessoas que vivem juntas, companhia militar, grupo de camaradas, província, associação mercantil e os outros em oposição ao nosso grupo.

A maioria das edições da bíblia em português traduz o grego éthnos pelo termo nação. Partindo desse tipo de tradução, muitos concluem que Israel foi substituído por outra nação, a Igreja gentílica. Contudo, esse tipo de interpretação traz alguns problemas. Em primeiro lugar, os cristãos não podem ser considerados como nação. Também “não há nenhuma menção implícita ou explícita aos gentios”. E quem rejeita o herdeiro não é a vinha (Israel), mas os vinhateiros, os líderes que “repudiam e matam continuamente os profetas e também conspiram para matar o Filho”[15].

A interpretação mais correta é que o grupo rejeitado na parábola seja o dos principais sacerdotes e anciãos do povo. Estes são reprovados porque não agem segundo a vontade de Deus para que a vinha produza frutos. A parábola pressupõe que a vinha é fecunda, mas os vinhateiros se apropriam indevidamente dos frutos em vez de entregar a produção ao proprietário. A vinha (Israel) foi mal administrada e tem que passar para outros administradores [16].

O grupo que produz frutos é a Comunidade dos seguidores de Jesus, principalmente aquela da qual Mateus faz parte e que é composta, em sua maioria, de judeu-cristãos. O grupo que produz frutos é um subgrupo que faz parte da vinha (Israel). “A vinha, Israel, permanece a mesma; subgrupos dentro de Israel são acusados ou louvados... a parábola dos vinhateiros é uma crítica aos líderes de Israel e não a Israel” [17].

- PEDRA
Em Mt 21,42 temos a citação do Sl 118, 22-23. Esse salmo[18] foi composto para ser cantado na solene liturgia de ação de graças que terminava com a entrada no Templo, na festa das Tendas. Essa festa destacava a reconstrução de Jerusalém (Ne 8,13-18; 12,27-43) e comparava Israel a uma pedra que as nações tinham rejeitado e que Deus a utilizava para a construção de seu Reino. Agora que os líderes do povo de Israel rejeitavam o enviado de Deus, Jesus mesmo é a pedra rejeitada e por isso se torna escândalo, palavra grega que significa “pedra que faz tropeçar”. Dessa forma, podemos entender essa afirmação “todo o que cair sobre esta pedra ficará em pedaços” (Mt 21,44a).

Mas também é dito que “aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó” (Mt 21,44b). Para compreender melhor essa afirmação é necessário recorrer a Dn 2,44-45. Nesse texto de Daniel, o sábio identifica a pedra que desce do monte, no sonho de Nabucodonosor, com um reino suscitado por Deus que jamais será destruído e que esmagará os demais reinos [19]. O Reino dos Céus, inaugurado por Jesus, é a pedra que cai sobre aqueles que rejeitam o enviado de Deus.

- REINO
O texto de Mt 21,43, com a afirmação “vos será tirado o Reino de Deus e será dado a outro grupo (éthnos) que produza frutos”, parece contrário a Dn 2,44: “um reino que jamais passará a outro povo (LXX: éthnos)”. Contudo, essa contradição não passa de um problema de tradução.

O Reino significa a soberania da vontade de Deus sobre o ser humano inserido em estruturas históricas, sociais, políticas, econômicas, culturais, etc. Portanto, isto não depende da pertença a uma etnia. Por isso, o Reino é dado a quem produz frutos de justiça, seja judeu ou gentio. Para a comunidade de Mateus, Jesus é a autobasileia, ou personificação do Reino, pois na vida dele a vontade de Deus foi sempre soberana. Não acolher o dom que é Jesus significa rejeitar a pedra angular do Reino[20].

A autoridade dos interlocutores de Jesus nesse texto de Mateus foi subtraída porque: (1) não acolheram os mensageiros de Deus, (2) não produziram frutos de justiça para Deus e (3) rejeitaram a autobasileia, Jesus. Perderam a autoridade sobre o povo “por causa de seu mau procedimento” e foram substituídos pelos líderes da comunidade de Mateus, “um grupo (éthnos) de líderes que ouve Deus e pode guiar corretamente ‘as ovelhas perdidas da casa de Israel’ (10,6)”[21]. Então, trata-se de uma justificação da autoridade da comunidade de Mateus perante a autoridade dos fariseus e não de uma rejeição de Israel por parte Deus. A comunidade de Mateus necessita justificar para os fariseus a autoridade que está reclamando para si mesma. Isto porque nessa época eram os fariseus as autoridades constituídas sobre o povo.

CONCLUSÃO
A Palavra nos exorta sobre algo que aconteceu com os fariseus da época de Mateus e que pode se repetir, tanto na História da Igreja, quanto na consciência de cada cristão: a rejeição aos enviados de Deus e à sua vontade soberana. A eleição por parte de Deus exige uma resposta pessoal e um engajamento de vida, é importante que a pregação provoque um julgamento da Assembléia sobre si mesma, como aconteceu na parábola.

É necessário também que se destaque um aspecto fundamental, isto é, que uma Igreja acomodada é uma figueira sem frutos (Mt 21,19) de justiça. Novos problemas exigem novas acentuações da fé, como fez a Igreja de Mateus, e a novidade da resposta, a tais problemas, pode trazer confrontos e desconfianças entre estruturas hierárquicas antigas e novas.

Acima de tudo é necessários permanecer fiel e perseverante. Estar consciente que a rejeição a Deus é um processo gradual que culmina sempre na Cruz, ontem e hoje. E que se rejeitamos Deus é porque sua vontade não corresponde aos nossos esquemas sempre forjadores de ídolos silenciadores de nossa consciência pecaminosa.

Enquanto houver acusações mútuas embasadas numa hermenêutica anti-semita dos textos bíblicos não será possível uma verdadeira manifestação de amor como pede a NA 4. Depois de 40 anos dessa Declaração do Concílio Vaticano II poucos passos foram dados para um abraço honesto entre judeus e cristãos. Muitas vezes por falta de uma boa tradução da Escritura. Outras vezes porque a dureza de coração impede de se reconhecer no outro um enviado de Deus.

Oremos para que Deus nos livre de fundamentar na Escritura uma atitude de anulação de nosso semelhante como pressuposto para afirmação de nós mesmo:

Onde está o clamor, onde estão as lágrimas
que eu deveria derramar na presença de Deus?


Eu nunca produzi senão frutos de morte,
porque não me enxertei em vós, Senhor!...
grandeza incomensurável!...


De onde trazes, ó árvore, estes frutos de vida,
sendo por ti mesma estéril e morta?


Da mesma árvore da vida o trazes!


Pois se não estivesses enxertada nela,
nenhum fruto poderias produzir por virtude tua,
porque nada és.

Catarina de Sena [22]

______________
[11] Os principais textos do AT que identificam Israel com a vinha são: Sl 80, 9-17; Is 5,1-7; Os 10,1; Ez 19,10-14.
[12] WEREN, W.J.C. “The Use of Is 5, 1-7 in the Parable of the Tenants (Mark 12,1-12; Matthew 21,33-46)”, Biblica 79 (1998) 1-26.
[13] No AT e no NT o termo “frutos” significa “obras”, “práxis que agrada a Deus”.
[14] SALDARINI, A. J. A Comunidade judaico-cristã de Mateus, São Paulo: Paulinas, 2000, p. 104-112.
[15] Ibidem, p. 105, notas 58 e 59.
[16] Este sentido também é comum ao episódio da figueira (Mt 21,18-19). Jesus esperou encontrar frutos e decepcionou-se. Os líderes do povo, daquela geração, não fizeram as obras que agradam a Deus.
[17] Ibidem, p. 109.
[18] Na opinião de alguns estudiosos, a citação do Salmo 118, 22-23 na parábola dos Vinhateiros é uma acréscimo redacional em Mc 12,10 // Mt 21,42 // Lc 20,17. Mas se for assim, a parábola perde sua chave eclesiológica, ou seja, não se refere em nada à comunidade cristã. Cf. CIPRIANI, S. “Significato Cristologico o anche Eclesiologico nella Citazione del Salmo 118,22-23 al Termine della Parabola dei Vignaiolli Omicidi”, Asprenas 26/3 (1979) 235-249.
[19] Veja a expressão: “aquele sobre quem ela [a pedra] cair será reduzido a pó” (Mt 21,44b//Lc 20,18b). Mc fala apenas da pedra rejeitada (Cristo) pelos construtores.
[20] RODRÍGUES CARMONA, Evangelio de Mateo, Bilbao: Desclée De Brouwer, 2006, p. 190.
[21] SALDARINI, op. cit., p. 112.
[22] Preghiere ed Elevazioni, Roma: Ferrari, 1920, p. 113.


* Aíla L. Pinheiro de Andrade é membro do Instituto Religioso Nova Jerusalém. Graduada em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará e em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), onde também cursou mestrado e doutorado em Teologia Bíblica. Leciona na Faculdade Católica de Fortaleza e em diversas outras faculdades de Teologia e centros de formação pastoral.