segunda-feira, 27 de abril de 2015

O que significa a expressão "osso dos meus ossos"?

Aíla L. Pinheiro de Andrade, nj*

Em Gn 2,23, lemos: “Esta é osso dos meus ossos e carne da minha carne” (Gn 2,23).

O termo hebraico ‘Etsem, que literalmente significa ossos, ganhou o significado metafórico de essência. A palavra aparece no relato do Gênesis, depois da criação da mulher, quando o homem, encantado com sua companheira, suspira e diz algo mais ou menos assim: “Agora sim. Esta é diferente das outras criaturas. Esta é das minhas; osso dos meus ossos!”.

Mas por que osso dos meus ossos e não pele das minhas peles ou músculo dos meus músculos?

Vejamos! Os ossos são o que há de mais interno; são nossa estrutura, o que nos mantém de pé. São os protetores dos órgãos vitais. São aquela parte de nosso corpo que ainda permanece quando o corpo entra em decomposição.

Em Gn 29,14, lemos: “Tu és meu osso e minha carne”.

Esta frase faz parte do relato que conta sobre a fuga de Jacó por medo das perseguições de Esaú (cf. o artigo “Esaú e Jacó: elogio à esperteza e à teimosia”). Chegando nas terras de Labão seu tio, Jacó é acolhido pelos parentes. Tal foi a alegria de Labão de conhecer um dos seus que logo exclamou: “tu és meu osso!”. Labão usa essa palavra para expressar o parentesco que o ligaria a Jacó (Gn 29,14).

Em Ex 1,9, o faraó diz: “O povo dos filhos de Israel é mais numeroso e mais forte (‘atsoum) do que nós”. O povo é ‘atsoum, e o faraó fica preocupado como se sua própria existência fosse ameaçada diretamente pela essência (‘etsem) destas pessoas.

Em Nm 22,6, lemos: “Peço que venhas amaldiçoá-lo, pois é um povo mais forte (‘atsoum) que eu”. Balaque também reconhece uma força (‘atsoum) em Israel e quer pará-lo a todo custo pela maldição de Balaão (Nm 22,6).

Em Ez 37, o profeta vê um vale de ‘etsem. uma planície cheia de ossos de um exército que, pelo aspecto da descrição, estão ali faz muito tempo. Deus faz uma promessa a Jeremias: esse exército vai ficar de pé novamente, vai ressuscitar. A essência do povo que está no exílio da Babilônia vai reanimar-se: esta é a garantia do Senhor (cf, Ez 37,11-14). A imagem descrita por Ezequiel vem certamente de Nm 13–14: os guerreiros de Israel são mortos e seus ossos permanecem no vale. São ossos de um exército de rebeldes. Também rebeldes são aqueles que, tempos depois, foram parar no exílio, mas seu ‘etsem é forte, eles terão sua esperança de volta.

No Novo Testamento, o evangelista João, antes de afirmar que Jesus ressuscitou, retoma o livro dos Salmos e diz que seus ossos permaneceram intactos. “E isto aconteceu para plenificar a Escritura: Nenhum dos seus ossos será quebrado” (Jo 19,36 / Sl 34,20 [21]). João quer garantir que a essência de Jesus – o Filho de Deus – não está em risco; sua vida está garantida, pois seus ossos estão inteiros. Com esta expressão João quer também indicar que Jesus é tamim, ou seja, o animal da oferta (Ex 12,46), assim como o justo que completou sua jornada (dérek tamim). João quer usar o temo ossos para falar sobre a ressurreição e dizer que Jesus é tamim (completo, íntegro).

Bom, pelas citações acima percebemos que osso na bíblia significa a essência da pessoa, sua integridade, sua completude. Podemos concluir que, ao colocar na boca do primeiro homem a expressão “osso dos meus ossos” para falar da mulher, o escritor sagrado está garantindo que homem e mulher tem a mesma essência, a mesma força, a mesma condição de vida, a mesma dignidade.

Publicado originalmente em: http://fiquefirme.com.br/multimedia-archive/5-o-que-significa-a-expressao-osso-dos-meus-ossos/

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* Graduada em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará e em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Faje - BH), onde também cursou mestrado e doutorado em Teologia Bíblica e lecionou por alguns anos. Atualmente, leciona na Faculdade Católica de Fortaleza. É autora do livro Eis que faço novas todas as coisas – teologia apocalíptica (Paulinas).

quinta-feira, 23 de abril de 2015

A mulher foi criada da costela do homem?

Aíla L. Pinheiro de Andrade, nj* 

Em Gn 2,7 se afirma: “Então Deus formou adam da adamah".

Geralmente as bíblias não traduzem o termo adam, apenas o transliteram, e fica parecendo que é sempre o nome de um homem, Adão. Mas traduzem o termo adamah por terra ou barro. Isso causa confusões. De fato, o termo adam não é usado exclusivamente para expressar raça humana, além desse conceito, também é nome próprio do personagem dos dois textos da criação. Mas, no contexto desse versículo, a melhor tradução para adam é “humano” ou “ser humano’, pois quando o texto hebraico quer designar especificamente o masculino usa o termo ish. O ser humano, adam, é aquele que foi tirado do “humus”, da terra, pois adamah significa o solo bom pra trabalhar, a terra que pode produzir bom fruto. Com essa afirmação de Gn 2,7, o autor quer dizer que o primeiro ser é indefinido sexualmente e deve ser escrito com minúsculas (adam).

Em Gn 2,22 encontramos: “E da tsela‘ de adam, Deus fez a fêmea”.

Da mesma forma, as bíblias geralmente traduzem tsela‘ por costela. Contudo, tsela‘ significa metade, banda, cada margem de um rio. Tsela‘ pode ser o conjunto das costelas, do lado esquerdo ou do lado direito. A melhor tradução seria: “de uma das metades de adam (humano), Deus fez a fêmea”. Da outra metade, é óbvio, Deus fez o macho. Não precisa nem falar o óbvio.

Em Gn 2,24, lemos: “Portanto, o macho (ish) deixará seu pai e a sua mãe, e se unirá à fêmea (ishah), e serão uma só existência”. Ou seja, as duas metades se encontram e se tornam adam, o ser humano original. O ser humano completo, a existência plena, não pode ser definida a partir do macho ou da fêmea, mas da beleza e da união de ambos. É bom lembrar que esses mitos, parábolas e lendas, presentes no Livro do Gênesis, fazem parte de outras literaturas do Oriente próximo, muito mais antigas que a bíblia. E até mesmo Platão (Ocidente), que é filósofo, menciona o ser humano original como hermafrodita e posteriormente dividido em duas metades. Ou seja, o ser humano completo não se encontra no gênero masculino, mas na união das duas partes.

Jesus usou Gn 2,24 para falar sobre o divórcio (Mc 10,7-9). Vejamos: a mulher era a única prejudicada pela separação naquela época (apesar de a Lei mosaica lhe dar alguma garantia, coisa que raramente era posta em prática pelo marido). A mulher poucas vezes tinha direito à herança[1], não tinha pensão do marido, não tinha emprego, não tinha nada… Uma vez repudiada pelo marido, duas opções apenas pareciam viáveis: mendigar ou prostituir-se para viver[2]. E não era raro isto acontecer. Às vezes o homem, dava carta de divórcio à mulher e deixava-a desprotegida, sem nenhum amparo[3]. Jesus, sabendo do domínio do macho, protege a mulher: “nada de dar cartas de divórcio às mulheres; a humanidade completa está na igualdade das relações e não no domínio masculino”.

Voltemos ao Gênesis. A parábola da criação do homem e da mulher é muito romântica quando bem traduzida e não há machismo algum no relato que diz que Deus fez a mulher da metade de adam. Há muito menos ainda a pretensão da bíblia de dizer como o homem e a mulher surgiram (origem do ser humano, no sentido científico). O texto quer apenas explicar a atração entre o masculino e o feminino. Esse tipo de literatura quer refletir sobre questões existenciais, por isso os antigos mitos são muito usados hoje pela psicologia e filosofia.

Mas é aí: A mulher foi feita da costela de Adão ou não? Sim e não! Sim, se entendemos que esse Adão (Adam) é o ser humano original e a costela (tsela’) é a metade dele, assim como o homem também foi feito da outra metade. Não, se entendemos que Adão é um homem e se pensamos que a costela é uma vértebra do seu corpo. Obvio até! A anatomia do corpo humano já mostrou isso: não falta uma costela no gênero masculino, como o relato da criação poderia fazer pensar aos desavisados

[1] Dos pais, caso não tivesse irmãos, a mulher ficava com a herança (cf. Nm 27,1-11). Do marido, em caso de morte, a mulher herdava por meio do filho, mesmo que este fosse criança.

[2] Uma terceira opção era casar-se novamente, mas esta não era coisa muito fácil para a repudiada.

[3] Tomemos cuidado ao ler estas linhas para não efetuarmos um juízo muito rigoroso com os orientais, afinal as leis deles são mais antigas e – em alguns aspectos – mais justas que as dos ocidentais, que só recentemente tem leis para defesa da mulher.
* Graduada em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará e em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Faje - BH), onde também cursou mestrado e doutorado em Teologia Bíblica e lecionou por alguns anos. Atualmente, leciona na Faculdade Católica de Fortaleza. É autora do livro Eis que faço novas todas as coisas – teologia apocalíptica (Paulinas).

quarta-feira, 22 de abril de 2015

O sangue e a vida na Bíblia

Aíla L. Pinheiro de Andrade, nj* 

Os antigos pensavam que a vida estava no sangue e Israel participava da mesma opinião, por isso tinha três prescrições acerca do sangue (Gn 9,4 e Dt 12,23)
1ª) é proibido comer o sangue ou a carne com sangue;

2ª) é proibido derramar o sangue de outra pessoa;

3ª) é proibido oferecer sangue em sacrifício aos deuses.
Mas como os antigos chegaram a essa concepção de que a vida estava no sangue? Os passos para se chegar a esta concepção foram os seguintes:

Os antigos tinham uma medicina elementar. Mas eles notaram que o bebê só pode ser considerado vivo depois que inspira (e chora). Observaram também que uma pessoa só poderia ser considerada morta depois que expirasse (e não mais inspirasse). Deduziram que a alma estava na respiração. Então: a alma era o ar. E entrava na pessoa pelo nariz, quando esta nascia, e saia pelo nariz, quando esta morria. Então eles se perguntaram: “Durante a vida onde fica a alma na pessoa? Ou seja, que parte do corpo é a sede da alma?”.

E veio uma nova observação da realidade: os soldados feridos em batalha sangravam. O sangue, ao sair do corpo deles, borbulhava. Logo, o sangue continha ar. Enquanto existia sangue no ferido ele permanecia vivo. Mas quando o sangue saía por completo, ele morria. Logo, a religiosidade chegou à seguinte conclusão: a alma é o ar. Entra no corpo pelo nariz e vai para o sangue. Logo concluíram: a alma está no sangue. Daí a proibição de Deuteronômio. O texto de Dt 12,23 diz o seguinte:

“Somente empenha-te em não comeres o sangue, pois o sangue é a vida; pelo que não comerás a vida juntamente com a carne“

Mas que vida é esta? Em hebraico, vida é nephesh, significando também personalidade, individualidade, instinto ou emoção. A Septuaginta traduziu nephesh (vida) para o grego com a palavra psyché, que deu psique. A vulgata traduziu psyché por anima. Então, em latim, ficou assim a tradução: “hoc solum cave ne sanguinem comedas sanguis enim eorum pro anima est et idcirco non debes animam comedere cum carnibus” ( Dt 12,23). Ânima significa alma ou vida, ânimo, aquilo que anima. Logo, alguns entenderam que comer o sangue era comer a alma. Daí para a polêmica sobre a transfusão de sangue foi um pulo. Há quem condene a transfusão de sangue baseando-se no texto de Dt 12,23, argumentando, segundo a tradução da vulgata, que o sangue é a alma, e, assim sendo, quem está doando sangue está doando a alma para outrem e quem está recebendo a doação está, evidentemente também, recebendo a vida do outro. Entendem, pois, que a transfusão de sangue é o mesmo que comer o sangue.

Compreensão equivocada, certamente, que necessita de correção. A alma não está no sangue, nem em nenhuma outra parte localizável do corpo. A alma é a pessoa, sua identidade, seu modo de ser, o conjunto de características natas e adquiridas que fazem a gente ser quem é diante de si, dos outros e de Deus. Não é porque doamos sangue para alguém que tiramos um pedaço da alma. Muito menos, ao receber uma doação de sangue, recebemos a alma do doador. Recebemos sim sua generosidade, sua gratuidade em partilhar a vida e isso diz algo sobre ela, mas sua alma não vem no sangue recebido.

Que fique bem claro: na bíblia, não há nenhuma proibição quanto à transfusão de sangue. Naquele tempo, ninguém pensava sobre a possibilidade de doar sangue para outrem. Há na Bíblia uma proibição de comer sangue, o que é compreensível para aquele tempo, conforme vimos acima. Tal proibição vem de uma compreensão equivocada acerca do sopro de vida que habita em nós. Sobre a transfusão de sangue é bom dizer uma palavrinha. Para quem precisa receber sangue, nada de escrúpulos ou culpa. É só um procedimento médico como qualquer outro. Para quem doa sangue é bom lembrar: não há maior amor do que dar a vida pelo outro. Doar sangue é sinal de amor e desprendimento. Podendo ajudar, por que não fazê-lo?




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* Graduada em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará e em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Faje - BH), onde também cursou mestrado e doutorado em Teologia Bíblica e lecionou por alguns anos. Atualmente, leciona na Faculdade Católica de Fortaleza. É autora do livro Eis que faço novas todas as coisas – teologia apocalíptica (Paulinas).

sábado, 18 de abril de 2015

Profetas e Profetismo em Chave Histórica 05 (final)

Aíla L. Pinheiro de Andrade, nj* 
(Material Didático do Curso de Extensão na Faculdade Católica de Fortaleza)

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4. Profetas após o exílio da Babilônia: Em 539 a.C., Ciro, após unir a Pérsia e a Média, conquistou a capital Babilônia e expandiu o império até o Egito e o que hoje é a Turquia. O Edito de Ciro (538 a.C) foi um instrumento para a política de colaboração espontânea.

4.1 Trito Isaías (Is 56-66): no final do exílio o entusiasmo inicial, cedeu lugar a novos erros, por isso o profeta animou a reconstrução da religião e não só da cidade e do Templo. Sua mensagem é exigente e utópica (60—61;66). Denuncia a ganância (Is 56,11) e exige a justiça (Is 56,1). É o mais aberto: para os estrangeiros (Is 56,4-6), sobre o sacerdócio (Is 61) e os eunucos (Is 56,3-4).

4.2 Ageu (חגי, festivo): a reconstrução do Templo tinha parado por 15 anos (Samaritanos, Esd 4). Quando Dario I subiu ao trono, Ageu viu uma oportunidade para recomeçar. A instabilidade das nações é um sinal do fim dos tempos (Ag 2,21-22).
4.3 Zacarias 1-8 (זכריה, o SENHOR se recorda): Depois de uma menção ao passado e de uma exortação à geração presente (Zc 1,1-6), há oito visões (1,7-6,8), uma história simbólica de Israel, e uma consolação aos repatriados. A ação simbólica da coroação de Josué (Zc 6,9-15) descreve a era messiânica do Reino de Deus.

4.5 Malaquias (מלאכי, meu mensageiro): é desenvolvido sobre três grandes temas: as faltas dos sacerdotes e dos fiéis (1,6-2,9; 3,6-12); o escândalo dos matrimônios mistos (2,10-16) e o Dia de Javé, o dia de purificação dos maus e triunfo dos justos (3,1-5.13-21). Foi Malaquias quem profetizou a vinda do novo Elias, o último dos profetas.

4.6 Abdias (עבדיה, servo do SENHOR): consiste de um capítulo: sobre a destruição de Edom (Ab 1,1-16) e a restauração de Israel (Ab 1,17-21). Este é o menor livro do Antigo Testamento.

4.7 Joel (יואל, o SENHOR é Deus): Contém duas partes: desastre agrícola (1-2) e o Dia do Senhor (3-4). Há uma profecia Messiânica, que é citada no discurso de Pedro (At 2,39).

4.8 Zacarias II (Zc 9-14): a campanha de Alexandre Magno e a destruição de Tiro são descritas em Zc 9,1-8. Em 9,13, “gregos” (Yonia) são designados como potência hostil ao povo de Deus. Assíria e Egito mencionados em Zc 9,11-12 e 10,8-11 significam simbolicamente a Diáspora inteira.

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* Graduada em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará e em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Faje - BH), onde também cursou mestrado e doutorado em Teologia Bíblica e lecionou por alguns anos. Atualmente, leciona na Faculdade Católica de Fortaleza. É autora do livro Eis que faço novas todas as coisas – teologia apocalíptica (Paulinas).

quinta-feira, 19 de março de 2015

Profetas e Profetismo em Chave Histórica 04

Aíla L. Pinheiro de Andrade, nj* 
(Material Didático do Curso de Extensão na Faculdade Católica de Fortaleza)

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A Reforma de Josias: Neto de Manassés, reinou de 639-606 a.C. Com morte de Assurpanipal (632), rei da Assíria, Josias, aos 16 anos, deu fim ao culto aos deuses dos assírios. Começou reformando o Templo (2Rs 21,3), onde foi encontrado o livro da Torah (2Rs 22,8) e por isso fez a reforma religiosa pondo fim à idolatria (2Rs 22,8-13). Mencionado por Jeremias (1,2-3; 3,6).

2.7 Habacuc (חבקוק, abraço): profetizou após a queda de Nínive (612 a.C.). O profeta viu a iniqüidade a seu redor e confrontou Deus (1,1-4). O Senhor anunciou que estava erguendo os ferozes caldeus (1,5-11). Como Sendo tão santo como Deus pode permitir isso? (1,12-17). O orgulho dos caldeus será sua própria queda, mas a fidelidade do justo será sua salvação (2,1-5). A passagem de Hab 2,4 “o justo viverá pela fé” é citada em Rm 1,17; Gl 3,12; Hb 10,37-38. Também estão nos evangelhos os “ais” (Hab 2,6b-20; Mt 23,13-32). A passagem Hab 1,4–2,20 é reinterpretada em um pesher de Qumran (1QpHab).

Queda de Nínive (612 a.C.): o governador Nabopolasar libertou a Babilônia do poder assírio e se tornou rei em 626 a.C. culminando na queda de Nínive em 612 a.C. após um cerco de 2 anos. Em 609 a.C. tentando impedir que o faraó Necao ajudasse a Assíria, o rei Josias morreu em batalha (2Rs 23,28-30) perto de Meguido (1Rs 9,15.19). Em 605 a.C., Nabucodonosor da Babilônia, derrotou os egípcios em Carquemis. 

2.8 Jeremias (ירמיהו, o SENHOR autorizou ou designou): iniciou quando ainda era jovem (Jr 1,6) no 13º. ano de Josias (628 a.C.). No reinado de Joaquim profetizou sobre a queda de Jerusalém e sofreu perseguição (Jr 36,5). Suas profecias foram escritas por Baruc num rolo. O livro foi queimado pelo rei que ordenou a prisão de ambos (Jr 36,26). O livro foi reescrito (Jr 36,32). Os babilônios vieram (Jr 37,4-5), mas recuaram por causa dos egípcios. Jeremias afirmou que eles voltariam (Jr 37,7-8), isso lhe custou nova perseguição (Jr 37,15; 38,13). Ele estava na prisão quando Jerusalém foi sitiada. Os babilônios deixaram que escolhesse onde morar. Jeremias ficou com Godolias, mas foi obrigado a ir para o Egito quando o governador foi morto (Jr 43,6).

3. Profetas durante o exílio da Babilônia: Jerusalém, por vários anos, foi alvo de pilhagem dos caldeus apoiados pelos vizinhos. Nessa época o rei Joaquim (609-597 a.C) de Judá morreu e foi sucedido pelo jovem Joiakin. Pouco depois que Joiakin se tornou rei em 597 a.C., Jerusalém foi forçada a render-se ao rei Nabucodonosor. Os notáveis foram exilados na Babilônia. Sedecias foi deixado como rei vassalo. Dez anos depois, encorajado pelo faraó Apriés (Hofra, Jr 44,30), Sedecias rebelou-se contra a Babilônia (2Rs 24,20). Os babilônicos a sitiaram e a destruíram em 587 a.C. 


3.1 Ezequiel (יחזקאל, Deus fortalecerá): foi um dos judeus exilados com Joiakin (Ez 1,2). Teve um papel importante entre os anciãos (Ez 8,1; 11,25; 14,1; 20,1). Considerava-se um enviado de Deus aos exilados, para demolir a esperança da libertação de Jerusalém e aliviar a angústia face à destruição. Para mostrar que Deus não está preso à Terra de Israel. Para conscientizar da responsabilidade individual pelos pecados. 

3.2 Deutero Isaías (Is 40-55): Profetizou na Babilônia após as primeiras vitórias de Ciro (550 a.C). Por causa das palavras “consolai, consolai meu povo” é chamado o livro da Consolação de Israel. Propõe um novo Êxodo. Começa uma tendência universalista Israel é luz para as Nações e o “Servo do Senhor” é um indivíduo que incorpora o destino do povo (personalidade corporativa). Quatro “Cânticos do Servo”.

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* Graduada em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará e em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Faje - BH), onde também cursou mestrado e doutorado em Teologia Bíblica e lecionou por alguns anos. Atualmente, leciona na Faculdade Católica de Fortaleza. É autora do livro Eis que faço novas todas as coisas – teologia apocalíptica (Paulinas).